{"id":101,"date":"2025-09-14T23:27:22","date_gmt":"2025-09-14T21:27:22","guid":{"rendered":"https:\/\/basilicadelpilar.com\/pt\/?p=101"},"modified":"2025-09-14T23:27:22","modified_gmt":"2025-09-14T21:27:22","slug":"do-humilde-oratorio-a-majestosa-basilica-a-evolucao-milenar-do-pilar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/basilicadelpilar.com\/pt\/do-humilde-oratorio-a-majestosa-basilica-a-evolucao-milenar-do-pilar\/","title":{"rendered":"Do Humilde Orat\u00f3rio \u00e0 Majestosa Bas\u00edlica: A Evolu\u00e7\u00e3o Milenar do Pilar"},"content":{"rendered":"\n<p>A Bas\u00edlica do Pilar que conhecemos hoje, um emblema de f\u00e9 e uma obra-prima arquitet\u00f3nica, n\u00e3o surgiu da noite para o dia. A sua hist\u00f3ria \u00e9 uma viagem de vinte s\u00e9culos, uma epopeia de pedra e devo\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou com a mais humilde das estruturas e culminou no esplendor barroco que maravilha o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>As origens perdem-se na n\u00e9voa dos tempos, sustentadas mais por ind\u00edcios prov\u00e1veis do que por dados irrefut\u00e1veis. A tradi\u00e7\u00e3o fala de uma pequena capela, um orat\u00f3rio dedicado a Santiago, erguido pelos primeiros crist\u00e3os junto ao Ebro. Este estreito espa\u00e7o sagrado, testemunha silenciosa da Vinda da Virgem, foi o germe de tudo o que viria a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos s\u00e9culos, a f\u00e9 necessitou de mais espa\u00e7o. No s\u00e9culo II, a capela primitiva foi ampliada e, ap\u00f3s a paz da Igreja concedida pelo \u00c9dito de Mil\u00e3o em 313, transformou-se num templo apto para o desenvolvimento de um culto mais amplo e solene. Sob o dom\u00ednio \u00e1rabe, parece que a igreja do Pilar \u2013 a&nbsp;<em>aedicula<\/em>&nbsp;sagrada, como a chamavam os autores \u2013 foi respeitada, um pequeno farol de f\u00e9 numa cidade maioritariamente mu\u00e7ulmana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Luz da Reconquista e as Primeiras Grandes Obras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A reconquista de Sarago\u00e7a em 1118 trouxe consigo uma nova era para o templo. \u00c9 a partir deste momento que a sua hist\u00f3ria abandona a penumbra e entra numa &#8220;zona de luz&#8221;. No ano de 1120, o bispo D. Pedro de Librana reconstruiu a velha igreja do Pilar e ampliou as suas instala\u00e7\u00f5es; deste templo, rom\u00e2nico no seu estilo, deve fazer parte o t\u00edmpano que se pode contemplar hoje na fachada principal, perto da porta baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o rio Ebro, esse &#8220;vizinho inc\u00f3modo&#8221; para a integridade da Bas\u00edlica, demonstrou o seu poder com cheias que provocaram estragos, necessitando de repara\u00e7\u00f5es constantes, como as dirigidas por Hugo de Mataplana.<\/p>\n\n\n\n<p>A trag\u00e9dia chegou em 1434 sob a forma de um voraz inc\u00eandio que reduziu a cinzas o templo rom\u00e2nico, ainda que a imagem da Virgem tenha sido milagrosamente respeitada pelas chamas. A rainha D. Branca de Navarra e o Arcebispo D. Dalmau de Mur restauraram o santu\u00e1rio onde se encontrava a Virgem. E j\u00e1, no ano de 1515, por impulso do arcebispo D. Alonso de Arag\u00e3o, come\u00e7ou a surgir uma igreja g\u00f3tica, chamada Santa Mar\u00eda la Mayor, da qual nos restam ainda o famoso ret\u00e1bulo de Forment e a primorosa talha coral de que nos ocuparemos mais adiante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Ponto de Partida da Actual Bas\u00edlica do Pilar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ponto de partida da actual Bas\u00edlica do Pilar deve ser situado em 1677. \u00c9 ent\u00e3o, pelo menos, que ganha corpo a ideia de engrandecer o templo. A visita que o rei Carlos II fez a Sarago\u00e7a, por motivo da sua jura e celebra\u00e7\u00e3o das Cortes, foi decisiva: ao regressar a Madrid, pediu que lhe apresentassem os planos da nova obra, tendo sido escolhidos os do arquitecto e pintor D. Francisco de Herrera, o Mo\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A abertura de valas come\u00e7ou em 1680, ainda que a primeira pedra da nova Bas\u00edlica s\u00f3 tenha sido colocada no dia de Santiago, 25 de Julho de 1681, oficiando a cerim\u00f3nia o arcebispo D. Diego de Castrillo com a assist\u00eancia do Duque de Hijar, vice-rei de Arag\u00e3o, e do pr\u00f3prio arquitecto Herrera.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o apoio real, com os recursos dos arcebispos e do Cabido, e, sobretudo, com os generosos contributos dos fi\u00e9is, as obras seguiram um ritmo r\u00e1pido. A 11 de Outubro de 1718 estavam terminadas as naves desde o altar-mor at\u00e9 ao muro ocidental, ou seja, o que d\u00e1 para a actual rua Jardiel. Foram colocados o coro e o ret\u00e1bulo, este no seu actual emplacamento, e, entre jubilosas e solen\u00edssimas cerim\u00f3nias, foi transferido o Sant\u00edssimo Sacramento para o altar da nova igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas era preciso continuar os trabalhos, pois faltava ainda muito por fazer. Foi chamado o arquitecto da Corte D. Ventura Rodr\u00edguez para que erguesse a Santa Capela, de que imediatamente nos ocuparemos. Ventura Rodr\u00edguez, nascido em 1717, foi nomeado arquitecto do Pilar por Fernando VI em 1750, mas s\u00f3 veio \u00e0 nossa cidade para assumir as obras em 1753. A primeira coisa que realizou foi a Capela da Virgem. Mas D. Ventura n\u00e3o limitou o seu trabalho \u00e0 Capela da Virgem, encarregou-se da direc\u00e7\u00e3o das obras de todo o templo e indicou o que era preciso construir de novo, o que era necess\u00e1rio renovar e o que havia que corrigir do primitivo projecto de Herrera.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Coroa\u00e7\u00e3o de um Sonho Secular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por falta de recursos, as obras ficaram interrompidas, e seria o s\u00e9culo XIX a coroar os esfor\u00e7os e os anseios das gera\u00e7\u00f5es anteriores. Os trabalhos recome\u00e7aram no dia 22 de Outubro de 1863. Dirigiram-nos os arquitectos D. Jos\u00e9 de Yarza e D. Juan Antonio Atienza, secundados pelo escultor D. Antonio Palao, pelos decoradores D. Agust\u00edn Pardo, D. Joaqu\u00edn Mendoza e D. N. Serrano, pelo pintor D. Mariano Pescador e pelo aparelhador D. Pedro Viri\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Nove anos duraram as obras nesta \u00faltima etapa. Finalmente, a 10 de Outubro de 1872, o arcebispo de Santiago, Cardeal Garc\u00eda Cuesta, rodeado pelos dignit\u00e1rios da na\u00e7\u00e3o e por mais de metade do episcopado espanhol, perante o j\u00fabilo transbordante e o entusiasmo indescrit\u00edvel do povo, consagrou a nova Bas\u00edlica numa solen\u00edssima cerim\u00f3nia a que concorreram mais de cem mil peregrinos. Esta consagra\u00e7\u00e3o coincidiu, pois, com a termina\u00e7\u00e3o da actual f\u00e1brica do Pilar, e significou a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho que, durante dois s\u00e9culos, foi uma obsess\u00e3o permanente e uma meta inating\u00edvel, at\u00e9 \u00e0quele dia, para todos os espanh\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p>Do pequeno orat\u00f3rio de Santiago \u00e0 majestosa Bas\u00edlica, cada pedra conta uma hist\u00f3ria de devo\u00e7\u00e3o, perseveran\u00e7a e uma f\u00e9 inabal\u00e1vel que moldou o perfil de Sarago\u00e7a durante mil\u00e9nios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Bas\u00edlica do Pilar que conhecemos hoje, um emblema de f\u00e9 e uma obra-prima arquitet\u00f3nica, n\u00e3o surgiu da noite para o dia. A sua hist\u00f3ria \u00e9 uma viagem de vinte s\u00e9culos, uma epopeia de pedra e devo\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou com a mais humilde das estruturas e culminou no esplendor barroco que maravilha o mundo. 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